Manuel Miguez-Garcia
Nasci em Sobreira Formosa, concelho de Proença-a-Nova, na Beira-Baixa, a 13 de Setembro de 1939. Tinha a 2ª Guerra Mundial começado há dias. Podem imaginar o que era viver em Proença-a-Nova nessa altura?
Era uma vida difícil, sobretudo para quem, como eu, era filho de alguém desafecto ao regime e que, por esse motivo, depois de uns anos de prisão (e não só!) tinha sido colocado com residência fixa naquele fim de mundo.
O meu Pai era filho de galegos da Província de Pontevedra, Concello de Pazos de Borbén. Uma pequena aldeia, a cerca de 10km de Redondela, chamada Amoedo.
(No começo do século ainda os galegos emigravam para Lisboa - e para Madrid. Eram tasqueiros, vendiam carvão e água de porta a porta: eram aguadeiros.
E gozavam os "alfacinhas": "nós até bimos
cá bender-les a auga qué deles...". Mas muitos, com o tempo,
tornaram-se "alfacinhas", alguns até se tornaram bilionários...,
como o Bullosa).
Aqui têm a localização do Amoedo, terra dos meus antepassados, no mapa da Galiza
Nesta fotografia podem ver os 4 irmãos Miguez-Garcia junto à Igrejinha do Amoedo!
Provavelmente, o meu Pai nasceu já em Lisboa. Mas não se sabe bem: nessa altura registavam-se as crianças quando elas já eram crescidinhas e há datas que não parecem coincidir lá muito bem....
O meu avô paterno tinha vindo da Galiza no princípio do século trabalhar no Hotel Frankfurt, em Lisboa. Diz-se que a família passou sem papéis, com a avó Dolores desgostosíssima porque um irmão tinha morto a namorada. Por ciúmes, imagina-se!
No hotel Frankfurt, o meu avô foi trabalhar para a cozinha. Porteiro era o Calhante, o pai do escritor José Rodrigues Miguéis.
Eram primos. O Calhante era da aldeia a seguir ao Amoedo, chamada Santiago de Borbén. No (talvez) melhor livro do Zé Rodrigues, A Escola do Paraíso, evoca-se (pág. 89 da edição de Março de 1962) o Callante, que "era natural de Borbén, ayuntamientode Redondela, e província de Pontevedra, que tantos galegos leais deu outrora a Portugal."
Recordo o meu pai a falar dos tempos da primeira Grande Guerra e das fomes. O meu avô trazia sacos com comida do hotel e do quarto andar do nº 126 da Rua do Jardim do Tabaco, onde a família morava, desciam-se merendas para quem se chegasse e precisasse. O Zé Rodrigues (p. 255) também se lembra dos que iam "comer à mão" do pai:
O Callante esteve alguns anos de copeiro num grande hotel da Baixa. O copeiro dum hotel é como o despenseiro a bordo dum navio: tem a chave dos estômagos, logo a das consciências. Todos lhe iam comer à mão, o que, além do mais, lhe satisfazia o orgulho. (...) Um dia fartou-se, deu por paus e por pedras, e largou a copa. (...) Em seguida, para descansar, fez-se porteiro dum hotel à rua do Príncipe, com casa de batota no terceiro andar. Quando entrava a rusga policial, o Callante, todo mesuras e falinhas mansas, erguia-se de boné agaloado na mão a saudar a Autoridade, e carregava com o pé no botão da campainha disfarçada junto do capacho, sob a mesa torneada, dando o alarme lá para cima.
A Escola do Paraíso é o melhor livro sobre a Lisboa do princípio do século. Creio que foi o Prof. Óscar Lopes quem o disse. É um livro notável, tantas vezes autobiográfico, como acentuava o Dr. Mário Neves, que foi director creio que do Diário de Lisboa, e em certa altura embaixador em Moscovo. Escreveu um livro comovente sobre o Zé Rodrigues, de quem era amigo.
Na minha família só alguns é que aportuguesaram o nome, como o meu tio Serafim que se casou com a mãe de alguns dos filhos uns dias antes de morrer, usando a certidão de nascimento dum primo também do Amoedo. Também chamado Serafim Miguez. O meu tio Serafim Miguéis nunca teve bilhete de identidade. Também nunca teve dinheiro. Coisas de família...
Em 1961 matriculei-me em Direito em Coimbra. Era uma altura em que tudo começava a entrar em efervescência. Começara a guerra colonial, em Fevereiro.
Em 1962 dava-se a primeira grande crise académica. E eu fui um dos que foram aterrar em Mafra.
Em 1963 cheguei a Angola, melhor, fizeram-me chegar. Eu não fui, eles me levaram, como o outro que ia para a forca. Apesar de tudo, se as coisas não estivessem tão confusas em Angola, adoraria voltar àqueles lugares para mim mágicos, àquelas paisagens fabulosas. E ver alguns amigos. Ainda estarão vivos?
No regresso de Angola, em 1966, continuei a estudar e a trabalhar, com responsabilidades acrescidas porque, entretanto tinha constituido família...
Depois de concluído o curso fui colocado em Serpa, como delegado do Procurador da República: não esquecerei as oliveiras centenárias, os jantares na Pousada de S. Gens, os cantares alentejanos que se ouviam nas tabernas. E a nobreza daquele povo, tão sacrificado e tão forte na sua adversidade.
Em Abril de 1974 tive uma das maiores alegrias da minha vida.
Durante algum tempo estive fora da magistratura. Regressei em 1991.
Agora dedico-me ao Direito Penal.
Nos últimos 16 anos tenho tido uma companheira que tem partilhado comigo os seus entusiasmos por computadores (Mac!) e pela Net.
Temos muitas coisas em comum:
Eis-me aqui na única fotografia que nos ficou do Vivaldi. Era uma gatinho encantador, vivíssimo, muito, muito meigo, que faleceu com 6 meses, de peritonite infecciosa felina
Tivemos, depois, o menino Tadzio que era uma formosura de gato... Nunca
teve a alegria que o Vivaldinho tinha (eu costumo dizer que o Vivaldi era
uma espécie de anjo...). Talvez porque também apanhou o maldito
vírus da peritonite infecciosa felina...
Esperámos 6 longos meses para podermos ter um outro gato. E, finalmente, em Outubro de 1997, o nosso amigo Michael Knübben Winter trouxe-nos da sua Cattery de Inchmahome duas gatinhas absolutamente deliciosas. Nascidas no dia 19 de Fevereiro de 1997 (dia do aniversário da minha mulher!).
Nunca vimos nada de tão doce como a menina Olívia
E nunca tivemos um gato tão azougado
e inteligente como a menina Ophelia.
O Claudius de Nazarlik chegou, finalmente!
Na próxima fotografia, podem ver que coisa linda é o Claudius.
A Belinda, uma das mais belas gatinhas nascidas do nosso gatil, ficou
connosco.
É uma das criaturas mais doces que possa imaginar-se. Faz-me imensa
companhia.
Criar gatinhos é uma
das coisas mais gratificantes que existe.
Queremos partilhar a beleza
e o encanto dos nossos "meninos"
Por isso o convidamos avisitar
a página dos nossos gatinhos da ninhada 5!
Alguns dos gatinhos, nascidos
a 27 de Julho de 2001, ainda estão disponíveis!
Visite a página dos gatinhos da ninhada 4!
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Clube
Português de Felinicultura
Clique no logotipo para saber mais sobre o nosso gatil
Os Angorás Turcos são uma raça antiga. Durante muito
tempo foram utilizados em cruzamentos para produzir o pêlo comprido...dos
persas.
Mas, ao contrário deles, trata-se de uma raça desenvolvida por
mutações e selecção natural.
Queremos ajudar a preservar esta belíssima raça e por isso
importámos os nossos gatos de países (Holanda e Finlândia)
onde esse processo está mais avançado.
Os Angorás Turcos são gatos relativamente silenciosos, mas
muitíssimo ágeis. Se quiser ter em sua casa um pedacinho de
Natureza em estado puro... contacte-nos!
Ah, é verdade; foi a minha Mulher que insistiu em fazer-me esta página!
Por isso, o que aqui vai, é altamente parcial e pouco digno de confiança ;-)!
Salvo uma ou outra coisa, que ela me convenceu a acrescentar, da minha lavra. Mas não gosto de falar de mim.
Ela é que tem uma home page (ou lá como se chama!) muito bonita.
Tem um excelente artigo intitulado:
"Navegar é preciso: mini-guia para cibernanutas em princípio de carreira".
Não é por ser da autoria da minha Mulher... mas verão que pode ser útil para quem dá os primeiros passos na Rede.
Voilà!
Última actualização: 3 de Outubro de 2001